15 abril 2014

Florbela Espanca

(Busto da 'poetisa eleita' feito, em bronze, por Raul Xavier em 1955 e oferecida pelo próprio ao Museu Amadeo de Souza Cardoso).
 
Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

2 comentários:

Mona Lisa disse...

Magnífica escolha de uma poetisa que gosto imenso.

Beijinhos.

Graça Pimentel disse...

Mona Lisa
Também gosto muito da Florbela Espanca que viveu e morreu na terra onde vivo e que adoptei como minha.

beijinho